Estou inquieta.
Não consigo dormir nem consigo ter um segundo da minha cabeça ocupado com algo que não sejas tu ou a aura que te rodeia.
Ultimamente, estou neste meio termo. Neste espaço entre dois mundos que ainda não é algo, mas que também não chega a ser nada.
Estou presa neste jardim de eucaliptos que me lembram apenas da minha curta e breve vida.
Não quero estar noutro lado qualquer, porque é aqui que tu habitas.
Mas se me viessem salvar, eu não poderia dizer que não. Sabes bem que não...
Sinto-me culpada se fico, sinto-me egoísta se vou. Nenhuma das duas me parece agradar, mas também não há nenhuma escolha a ser feita.
Estou aqui presa, mas sem pressa. Estou aqui presa, mas sem local para ir.
Fico aqui, na esperança de ser feliz. De sentir algo mais do que vazio, que todos os dias, incessantemente, me diz o que eu devia sentir. Ou o que não devia.
E come-me as entranhas, lentamente. O sofrimento prolonga-se e eu tento, em vão, acabar com ele, para que não reste dor aqui.
A chuva vem (ou talvez não) e eu tento, já sem réstia de dúvidas, lavar o meu ego destruído.
Mas a chuva não o lava...Acho que nunca lavou.
Aqui só resto eu e a memória viva de ti, aqui a meu lado. Que me olha nos olhos e me mostra que o sofrimento nunca irá acabar.
Que me dá a mão só para me fazer perceber quão mortal eu sou.
Que me empurra, ou para um lado, ou para o outro, só para me fazer escolher um caminho. Para deixar este impasse, este não-local que pode ou não existir na realidade. Que me prende aqui, sugando-me as forças.
E eu, escolho-o por fim.
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